Argentina vai às ruas contra cortes de Milei e acende alerta para o Brasil em ano eleitoral
Enquanto o estado de São Paulo ferve com a "pauta bomba" do PL 1316/25, nossos vizinhos argentinos dão uma aula de resistência nas ruas. Na última terça-feira (12), mais de 1,5 milhão de pessoas ocuparam as praças de todas as províncias da Argentina na Quarta Marcha Universitária Federal. O motivo? O sufocamento financeiro imposto pelo governo de Javier Milei, que levou o orçamento das universidades ao nível mais baixo desde 1989.
A Matemática da Miséria: 0,428% do PIB
Os dados do Centro Ibero-Americano de Pesquisa (Ciicti) são devastadores. O investimento nas universidades argentinas caiu para apenas 0,428% do PIB. Na prática, isso significa que 70% dos docentes e servidores estão hoje abaixo da linha da pobreza. Desde que o projeto liberal de Milei assumiu o poder, a perda salarial da categoria equivale a oito salários inteiros.
Liberalismo e o Desprezo pelas Leis
O que acontece na Argentina é o estágio avançado do que denunciamos aqui no Radar Educação sobre o liberalismo de Tarcísio de Freitas em SP. Milei não apenas corta verbas; ele ignora leis aprovadas pelo Congresso (Lei 27.795) e decisões judiciais. É o autoritarismo de mercado em sua forma mais pura: o Executivo se coloca acima da Constituição para impor um projeto de "Estado Mínimo" que, na verdade, entrega uma "Educação Mínima".
Precarizar para Destruir a Excelência
A Argentina é mundialmente reconhecida pela excelência de suas 57 universidades públicas e gratuitas. Ao asfixiar o orçamento, o governo Milei tenta destruir a reputação dessas instituições para justificar, futuramente, a sua privatização — a mesma lógica que observamos no PL 1316/25, que usa a "meritocracia" e o "castigo" para expulsar o professor da carreira pública.
A Luta é a Mesma
A mobilização massiva em Buenos Aires, Córdoba e Rosário deixa uma lição clara para os educadores brasileiros e, especialmente, para os baianos: o projeto liberal-privatista não aceita o funcionalismo público valorizado. Ele prefere o professor adoecido, o estudante sem recursos e o prédio sucateado. Defender a universidade na Argentina é, hoje, a mesma luta de quem defende a carreira docente em São Paulo e em todo o Brasil.
Foto: @conaduhistorica
