Paulo Sérgio Pinheiro alerta sobre violência da extrema direita: "O silêncio do professor é consentimento"
Em entrevista, o cientista político e ex-secretário de Direitos Humanos denuncia ataques a universidades, resgata a doutrina do 'inimigo interno' e avisa que omissão acadêmica legitima o regime de exceção.
A onda de ataques violentos contra universidades públicas — como o incêndio sob investigação da Polícia Federal na UFPE e disparos de arma de fogo na UFS — não é um fato isolado nem fruto de militantes exaltados. Trata-se de uma estratégia deliberada da extrema direita bolsonarista que enxerga professores e estudantes como "inimigos a retaliar". O alerta foi feito pelo cientista político, professor aposentado da USP e ex-secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, em entrevista ao portal Brasil de Fato.
Membro da Comissão Arns e ex-relator da ONU, Pinheiro criticou a apatia de setores do magistério superior e alertou que, diante da ameaça fascista neste segundo turno das Eleições 2026, "a omissão não é neutra".
'Inimigo interno' e o desmonte silencioso
Segundo Pinheiro, o bolsonarismo reativa a doutrina de segurança nacional da ditadura militar, identificando a universidade e o pensamento crítico como focos a serem neutralizados. Para o professor, a vitória do projeto de Flávio Bolsonaro não exigirá o fechamento formal de instituições, mas sim o uso do que a ciência política chama de legalismo autocrático: a asfixia financeira do CNPq, da Capes e do Fundeb, o desmonte de pesquisas, o ataque às cotas raciais e o estrangulamento orçamentário.
"A extrema direita considera professores e estudantes inimigos a retaliar. Num momento como este, o silêncio dos professores não é prudência acadêmica. É uma forma de consentimento", pontuou o docente em assembleia na FFLCH-USP.
O cientista político relacionou os atentados recentes à destruição da esfera pública descrita por Hannah Arendt: ao incendiar laboratórios e destruir acervos acadêmicos acumulados há décadas — como ocorreu na Federal de Pernambuco —, o neofascismo tenta destruir as fontes independentes de conhecimento para impor sua própria versão da realidade.
Plebiscito entre democracia e barbárie
Analisando o cenário para o segundo turno presidencial e a composição do futuro Congresso, Paulo Sérgio Pinheiro enfatizou que a eleição de 2026 deixou de ser uma disputa eleitoral comum entre programas de governo para se tornar um plebiscito sobre a sobrevivência da democracia.
O avanço da extrema direita representa, segundo o especialista, a institucionalização de um "autoritarismo socialmente implantado", a consolidação da necropolítica contra populações vulneráveis e o desmantelamento das conquistas sociais e trabalhistas da classe docente. A única resposta possível para o magistério e para a juventude é a ocupação consciente das ruas e das urnas.
📖 CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA: Para ler a íntegra da conversa e os detalhes da análise do professor Paulo Sérgio Pinheiro, acesse a entrevista completa no site do Brasil de Fato.
