"Anarcocapitalismo" de fachada asfixia o Ensino Público na Argentina para favorecer o mercado
O que está em curso na Argentina não é apenas um ajuste de contas, mas um ataque ideológico frontal ao direito ao conhecimento. Sob o disfarce de um suposto "anarcocapitalismo", o governo federal impõe uma cartilha liberal radical que, na prática, funciona como um projeto de transferência de patrimônio público para o setor privado. Relatório recente do Centro de Economia Política Argentina (CEPA) revela que, até 2026, o sistema de educação e ciência será reduzido a escombros.
O Fim da Escola Técnica: Um Presente para as Empresas de Cursos Pagos
A face mais cruel desse desmonte atinge o Ensino Técnico e Profissional (ETP). O Fundo Nacional (FoNETP), essencial para que o filho do trabalhador aprenda uma profissão, sofreu uma redução real de 93% em relação a 2023. Ao destinar apenas 3,5% do valor previsto em lei, o governo neutraliza a política pública.
O objetivo é claro: ao sucatear a escola técnica gratuita, o Estado empurra a juventude pobre para o endividamento em cursos privados ou para a mão de obra desqualificada e barata. É o liberalismo em sua forma mais pura: o conhecimento deixa de ser um direito e passa a ser uma mercadoria acessível apenas a quem pode pagar.
Universidades e Ciência: A Elite contra o Povo
A universidade pública, historicamente o motor de ascensão social na Argentina, enfrenta um corte de 33,8%. Para garantir que os mais pobres não consigam sequer chegar às salas de aula, o governo desferiu um golpe fatal nas bolsas de estudo, que despencaram 76,6%.
Ao mesmo tempo, o investimento em Ciência e Tecnologia foi decepado em quase 50%. Não se trata de economia de recursos, mas de um projeto de país submisso, que renuncia à soberania tecnológica para se tornar dependente de patentes estrangeiras e serviços privados.
A Manobra Legal do Desinvestimento
Para consolidar essa barbárie, o governo tenta derrubar as garantias mínimas de financiamento através do Artigo 30 da proposta orçamentária. Ao remover as travas legais que protegiam a educação, o presidente abre caminho para que o orçamento público seja drenado conforme os interesses do mercado, abandonando o povo à própria sorte.
O relatório da CEPA é o retrato de um crime social: sob o pretexto da "liberdade", o Estado nega o futuro das próximas gerações, consolidando um declínio sem precedentes e condenando a população pobre à ignorância ou à exclusão econômica.
Fonte: Baseado em dados do Relatório do Centro de Economia Política Argentina (CEPA).
